A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA DEFESA NACIONAL

CEDIS Working Paper Direito, Segurança e Democracia n.º 59 outubro 2018

Resumo e palavras chave

Autor: Francisco Rodrigues

 

RESUMO

Nas últimas duas décadas, temos assistido a um desenvolvimento exponencial nas ciências computacionais, mais concretamente na Inteligência Artificial. O desenvolvimento da IA traduz-se no aparecimento de programas e máquinas que replicam a capacidade humana de raciocinar, perceber, tomar decisões e resolver problemas. Pelo desenvolvimento desta capacidade, a Inteligência Artificial passou a ser parte de várias áreas de actividade da nossa sociedade actual, como a saúde, a Educação, ou a segurança num sentido lato passando também pela Defesa Nacional. Actualmente, passou da ficção à realidade, máquinas e armas de guerra construídas by design comportando programas de Inteligência Artificial e tendo como finalidade, operar em áreas de conflito ou em que exista combate real. Todavia, pode colocar-se a questão do ressurgimento de uma desumanização da guerra, através de uma nova forma desta, ou seja, com a Inteligência Artificial, até que ponto a guerra passará a ser somente uma guerra tecnológica, ausente de uma forma de pré-julgamento e de consciência humana. No mundo académico, as correntes de pensamento dividem-se, colocando alguns a consideração de que esta nova tecnologia produzirá o efeito da guerra vir a ser sempre menos destrutiva e tendencialmente menos arriscada, e outros considerando que a gradual perda de um factor humano no processo de decisão numa guerra é já um perigo bastante real para as populações humanas, porquanto uma máquina não sentirá o peso existencial do que é matar, pelo que será necessário estabelecer uma discussão mais alargada e mais aprofundada sobre este tema.

 

PALAVRAS-CHAVE

Método de combate, Estratégia, Defesa Nacional, Desumanização, Fronteira, Inteligência Artificial.

Abstract and keywords

Artificial Intelligence in National Defence 

 

Author: Francisco Rodrigues

 

ABSTRACT

In the last two decades, we have witnessed an exponential development in the computational sciences, more concretely in the Artificial Intelligence. The development of AI translates into the emergence of programs and machines that replicate the human capacity to reason, perceive, make decisions and solve problems. By developing this capability, Artificial Intelligence became part of several areas of activity in our current society, such as health, education, or security in a broad sense, passing through National Defense. Nowadays, it has gone from fiction to reality, machines and weapons of war built by design with programs of Artificial Intelligence and for the purpose of operating in areas of conflict or in which there is real combat. However, the question of the resurgence of a dehumanization of war can be raised through a new form of this, that is, with Artificial Intelligence, to what extent the war will only become a technological war, absent in a pre-emptive way -judgment and human conscience. In the academic world, the currents of thought are divided, putting some to the consideration that this new technology will produce the effect of war will always be less destructive and tendentially less risky, and others considering that the gradual loss of a human factor in the process of decision in a war is already a very real danger for the human populations, because a machine will not feel the existential weight of what is to kill, reason why it will be necessary to establish a wider and more deep discussion on this subject.

 

KEYWORDS

Combat Method, Strategy, National Defence, Dehumanization, Frontier, Artificial intelligence.

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