O GOVERNO DOS OUTROS. IMAGINÁRIOS POLÍTICOS NO IMPÉRIO PORTUGUÊS (1496-1961)

PTDC/HIS-HIS/104640/2008

Este projecto analisa de que forma é que, entre 1496 (decreto que ordenou a expulsão dos judeus do reino de Portugal) e 1961 (a abolição do Estatuto político, civil e penal dos indígenas de Angola e Moçambique), o governo das diferentes populações do império português foi pensado e debatido. A resposta a este problema deu origem a propostas que oscilaram entre perspectivas mais inclusivas ou mais exclusivas.

 

Os eixos da investigação seleccionados são os seguintes:

a) As formas como os discursos sobre a diferença e as políticas de inclusão e exclusão das populações extraterritorium estiveram interligados. Serão identificadas as continuidades e descontinuidades nessas formas de pensar o governo da diferença e as tensões que gerou. Será dada uma atenção particular à tendência para a dissolução da diferença (relacionada com a conversão ao cristianismo, a hibridez física, a educação), para se construir a ordem política sobre a ideia de igualdade, em permanente tensão com a ideia de estabelecer a diferença como fundamento dessa ordem política.
b) As ligações entre estes modos de pensar e de moldar as decisões políticas com os modelos imperiais referenciais (como o romano), com as culturas políticas das sociedades coloniais e seus agentes, bem como com eventos singulares que tiveram o poder de mudar ou reforçar certas tendências ideológicas. A sensibilidade à circulação de ideias, quer em espaços transnacionais quer ao longo do tempo, pretende tornar visíveis os modos como experiências passadas e contemporâneas se entrosaram na formação do Império, mas também o modo como centros imperiais e periferias se constituíram mutuamente.
c) A produção e disseminação de memórias colectivas (por vezes em conflito) sobre as antigas populações imperiais, quer ‘colonizadas’, quer ‘colonizadoras’.
Se o enfoque na longue durée proporcionará uma visão panorâmica sobre estas questões, a equipa irá também concentrar-se em estudos de casos sintomáticos e seus agentes.
É um projecto desenvolvido em conjunto com o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e que reúne investigadores vindos de áreas disciplinares muito diversas (da História, ao Direito, à Antropologia).

 

Nome dos investigadores ligados ao projecto:

Ana Cristina Fonseca Nogueira da Silva, FDUNL, Cedis; Ângela Maria Barreto Xavier (Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, Investigadora Responsável do projecto; ; Iris kantor (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de S. Paulo; Luís Pedroso de Lima Cabral de Oliveira (Faculdade de Direito UNL); Pedro António Almeida Cardim (Faculdade de Ciências Sociais e Humanos da UNL); Ricardo Nuno Afonso Roque Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa); Rui Manuel Monteiro Lopes Ramos (Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa).

 

Bolseiros:

Manuel Campos Robalo Leite de Magalhães (Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, Bolsa de Investigação)
Pedro Ferreira (Cedis – FDUNL, Bolsa de Iniciação à Investigação)